Ansiedade e Depressão

05-05-2026 14:47

Ansiedade e Depressão:

Todos nós em determinado momento da nossa vida já sentimos ansiedade. Ela está ligada a uma sensação de “stress”, de incapacidade e até de receio de que algo possa correr mal, e normalmente na maioria das vezes aprece em associação com estados de “excitação” - batimentos cardíacos acelerados, respiração ofegante, sudação e por vezes acompanhada de rubor da pele. São apenas, estímulos “simpáticos” desencadeados pelo SNS (sistema nervoso simpático).

Enquanto que na depressão, acontece o contrário, inércia, fadiga, falta de vontade de viver, falta de esperança em tudo, etc.

O diagnóstico de depressão clínica, requer pelo menos, cinco dos nove sintomas, a saber:

  1. Humor deprimido;
  2. Reduzido interesse ou prazer em atividades;
  3. Perda ou ganho considerável de peso e/ou apetite;
  4. Insónia, sonolência ou sono excessivo.
  5. Comportamento agitado ou lento;
  6. Fadiga ou energia diminuída
  7. Pensamentos de inutilidade ou culpa;
  8. Capacidade reduzida de pensar ou de se concentrar
  9. Frequentes pensamentos de suicídio e/ou morte, e/ou tentativas de suicídio.

O fato é que a ansiedade e a depressão estão muitas vezes interligadas e as suas causas orgânicas são muitos semelhantes.

Estas causas “bioquímicas” não devem suprimir-se através de recurso a ansiolíticos e/ou antidepressivos, pois seria fácil demais, mas muito difícil a retirada destes tipos de substâncias que inibem o corpo da produção dos essenciais neurotransmissores (Serotonina, Dopamina, Noradrenalina, Gaba).

Estas situações, estão associadas a vários problemas, tais como:

  • Incidência de doenças neurológicas;
  • Falta de sono;
  • Falta de memória e de concentração;
  • Falta de libido;
  • Tendência para engordar;
  • Necessidade constante de alterar e aumentar medicação;
  • Flacidez de pele;
  • Dependência e comportamentos por vezes desajustados que levam a uma sociedade doente;
  • Governos doentes;
  • Gestões doentes e…
  • …a um mundo pior para as gerações futuras.

Se mal controladas/medicadas o perigo iminente de suicídio por desinibição da ação é real.
Tudo isto entre muitas outras complicações como;

  • O aumento da incidência do carcinoma da mama com alguns antidepressivos como a paroxetina, por exemplo.

É óbvio que muitas pessoas necessitarão de fato de medicação, as que sofrem de depressão maior, que é caracterizada por ser persistente e poder interferir significativamente nos pensamentos, comportamento, humor, atividade e saúde física de uma pessoa.

Talvez que a maioria, certamente não precise de receber esta “carga”.

Existem outros fatores predisponentes além dos níveis reduzidos dos neurotransmissores por via bioquímica, que são:

  • Predisposição genética e desequilíbrios hormonais.
  • Há evidências de que a estrutura do próprio cérebro pode ser alterada na depressão, especialmente o hipocampo, embora poucos estudos tenham sido realizados sobre o tratamento eficaz para essas alterações.
  • Stress oxidativo, que pode causar destruição da membrana celular e do DNA no cérebro;
  • Inflamação e hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA).

 

Um desequilíbrio de neurotransmissores pode causar:

  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Ataques de pânico;
  • Insónia;
  • Intestino irritável;
  • Distúrbios alimentares;
  • Fibromialgia;
  • Obsessões;
  • Compulsões;
  • Disfunção adrenal;
  • Dor crônica;
  • Enxaqueca e até morte precoce.

De considerar o facto que a ansiedade e a depressão são sintomas constantes quando existem desequilíbrios hormonais e por tal motivo todos os médicos deveriam compreender que por detrás de uma ansiedade/depressão, pode estar, não só um desequilíbrio hormonal, mas também carências nutricionais - aminoácidos, oligoelementos - fundamentais para que os neurotransmissores funcionarem equilibrados.

As hormonas - o estradiol, a progesterona, a dehidroepiandrosterona (DHEA), a hormona do Crescimento (HGH), a hormona tiroideia - são necessárias para que um bom equilíbrio emocional seja preservado.

Para que a Ansiedade se instalar, são consideradas três vias:

  1. A via bioquímica, proveniente de uma nutrição desequilibrada, má digestão e absorção, o que levará a carência de aminoácidos que são precursores dos nossos neurotransmissores. Esta via bioquímica é completamente “fisiológica” e não “psicológica”
  2. A vida “stressante” do dia-a-dia, com elevação do cortisol, que leva à “depleção” hormonal, se não corrigida.
  3. A via psicogénica, onde temos por exemplo incluídas as crianças negligenciadas e abusadas, situações traumáticas, doenças graves físicas, levando a um negativismo em ver o mundo, sem esperança, criando personalidades “ansiosas”, em que qualquer plano social, mental ou físico. Isto, vai levar a uma fisiologia de “foge/ luta ou congela”, criando o pânico, através da ligação ao 2º cérebro (intestino) que comunicará com o 1º cérebro.

Pessoas ansiosas, são sempre preocupadas. Têm assim perceção negativa de situações que são completamente inofensivas para a maioria das pessoas.

A ansiedade é ao fim e ao cabo um problema de “perceção” da realidade.

São quatro os principais neurotransmissores que intervêm na ansiedade e depressão, levando a personalidades agitadas, insónia, apatia e fadiga: Serotonina, GABA, Dopamina, Norepinefrina, a saber:

  1. Serotonina: O neurotransmissor responsável pela sensação de serenidade, calma e segurança. A sua falta, conduz à depressão, insónia, ansiedade, tendência para os doces/açúcares, sensação compulsiva de ingestão de HC (hidratos de carbono). A serotonina é formada a partir do L-triptofano, que se converte em 5HTP, através de uma enzima a triptofano hidroxilase que necessita de ferro e oxigénio. O 5HTP depois é convertido em Serotonina por uma enzima a 5HTP descarboxílase, que necessita de vitamina B6, ativando a P-5-P. Logo percebemos que uma pessoa carenciada em B6 não formará bem a serotonina. Cerca de 90% da serotonina é formada no 2º cérebro (intestino).
    O magnésio é importante para a formação da serotonina, inibindo simultaneamente a libertação de norepinefrina e dopamina. Também baixa o nível de cortisol na supra- renal. Ajuda muita a aliviar a ansiedade.
  2. Gaba- ácido gama aminobutírico: O GABA é um aminoácido e um neurotransmissor. O chamado calmante natural.
    O magnésio Treonato e o Taurato atravessam a barreira hematoencefálica e interagem com os recetores do GABA potenciando a sua ação calmante
    GABA, taurina e glicina, são aminoácidos e neurotransmissores inibitórios.
    A L-Theanina, é um aminoácido que eleva os níveis de GABA e de serotonina, alivia o stress e sintomas da ansiedade.
    A taurina promove a libertação do GABA e também ajuda.
    Glutamato é um neurotransmissor excitatório, e por isso a relação GABA/Glutamato deve ser elevada para aliviar a ansiedade. Ao tomarmos P-5-P (vitamina B6 ativada) teremos mais GABA e menos glutamato. Temos, pois, que os aminoácidos (AA), glicina, taurina e GABA são neurotransmissores inibitórios. Afetam a via bioquímica da ansiedade.
    A glicina estimula o GABA e inibe os efeitos da norepinefrina estimulante. Eleva a serotonina, melhora o sono, opõe a libertação da norepinefrina, e ajuda a diminuir a ansiedade, e o TOC (Transtorno Obsessivo compulsivo).
    Os ataques de pânico têm muitas vezes origem na via psicogénica de Foge/luta e a glicina baixa o sistema simpático.
    Se a glicina estiver baixa, a ansiedade aumenta.
  3. Catecolaminas (L-Dopa, Dopamina, norepinefrina e epinefrina): Secretadas na supra-renal onde são denominadas de hormonas e aqui de neurotransmissores. A epinefrina na supra- renal é também denominada de adrenalina e a norepinefrina de noradrenalina.
    A Tirosina forma-se a partir da Fenilalanina, e este aminoácido é o precursor de todas as catecolaminas.
  4. Dopamina: Motiva-nos para a recompensa e prazer. lutar por comida, água e sexo e fugir do perigo. A sua falta, gera sensação de incapacidade para alcançar prazer, para lidar com o stress e torna as pessoas apáticas. O excesso de dopamina leva à sensação de preocupação pelas rotinas diárias, ansiedade, medo sem razão aparente e terror, quando em níveis muito elevados.
  5. Norepinefrina: A deficiência deste neurotransmissor leva ao deficit de atenção/Foco. A baixo rendimento no estudo. A diminuição do prazer pela vida, a ansiedade e a depressão. A baixa da tensão arterial, dificuldade na perda de peso, pálpebras descaídas.

A disrupção dos neurotransmissores e dos seus recetores pela disrupção tóxica constante a que estamos sujeitos, pode levar a:

  • Inflamação;
  • Hipertiroidismo;
  • Stress crónico;
  • Hipoglicemia que pode também gerar um ataque de pânico. 
Voltar