TDAH - Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade

03.07.2015 15:06

Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade [TDAH] é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade com prejuízo para o próprio e para os outros, pelo menos dois contextos diferentes (em casa e na escola/trabalho). Entre 3% e 6% das crianças em fase escolar são diagnosticadas com este transtorno. Entre 30 a 50% dos casos persistem até a idade adulta. A causa, o diagnóstico, a justificação para o mau desempenho acadêmico e o grande número de tratamentos desnecessários, leva ao recurso de com anfetaminas, que desde a década de 70 vem gerando polémica. A OMS na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) classifica-a como um Transtorno Hipercinético.

Características

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade [TDAH] caracteriza-se por um frequente comportamento de desatenção, inquietude e impulsividade, em pelo menos três contextos diferentes (casa, creche, escola) O Dicionário de Saúde Mental atual (DSM IV) subdivide o TDAH em três tipos.

  • TDAH com predomínio de sintomas de desatenção;
  • TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade e;
  • TDAH combinado.

Na década de 1980, a partir de novas investigações, passou-se a ressaltar aspectos cognitivos da definição de síndrome, principalmente o déficit de atenção e a impulsividade ou falta de controle, considerando-se, além disso, que a atividade motora excessiva é resultado do alcance reduzido da atenção da criança e da mudança contínua de objetivos e metas a que é submetida. Transtorno reconhecido pela OMS, tem em muitos países, lei de proteção, assistência a quem tem este transtorno ou distúrbios bem como aos seus familiares.

Segundo a OMS e a Associação Psiquiátrica Americana, o TDAH é um transtorno psiquiátrico que tem como características básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como a baixo desempenho escolar e outros problemas de saúde mental. Embora a criança hiperativa tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizagem e comportamento. Os professores e os pais da criança hiperativa devem saber lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança. A criança com Déficit de Atenção muitas vezes sente-se isolada e subjugada pelos colegas, mas não entende por que é tão diferente. Fica perturbada com suas próprias incapacidades. Sem conseguir concluir as suas tarefas normais de uma criança na escola ou em casa, a criança hiperativa pode sofrer de stress, tristeza e baixa auto-estima.

Critérios Diagnósticos

Para diagnosticar um caso de TDAH é necessário que a criança em questão apresente pelo menos 6 dos sintomas de desatenção e/ou 6 dos sintomas de hiperatividade; além disso os sintomas devem manifestar-se pelo menos em dois ambientes diferentes e por um período superior a seis meses.

Com predomínio de desatenção

  • Frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;
  • Com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  • Com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  • Com freqüência não segue instruções e não termina os deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções);
  • Com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
  • Com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa);
  • Com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex., brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais);
  • É facilmente distraída por estímulos alheios à tarefa;
  • Com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias.

Com predomínio de Hiperatividade e Impulsividade

Hiperatividade

  • Frequentemente agita as mãos e/ou os pés;
  • Frequentemente abandona a cadeira na sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
  • Frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação);
  • Com frequência tem dificuldade em brincar ou envolver-se silenciosamente em atividades de lazer;
  • Está frequentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo o vapor”;
  • Frequentemente fala em demasia.

Impulsividade

  • Frequentemente dá respostas precipitadas antes das perguntas terem sido completadas;
  • Com frequência tem dificuldade para aguardar pela sua vez;
  • Frequentemente interrompe ou mete-se nos assuntos dos outros (por ex. em conversas ou brincadeiras).

Critérios para ambos

  • Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estão presentes antes dos 7 anos de idade;
  • Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por ex., na escola [ou trabalho] e em casa);
  • Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional;

Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e não são melhor explicados por outro transtorno mental (por exemplo Transtorno do Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou um Transtorno da Personalidade).

Os sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade relacionados ao uso de medicamentos (como broncodilatadores, isoniazida e acatisia por neurolépticos) em crianças com menos de 7 anos de idade não devem ser diagnosticados como TDAH.

Pessoas com TDAH tem problemas para fixar sua atenção em coisas por mais tempo do que outras, interessantemente, crianças com TDAH não tem problemas para filtrar informações. Crianças com TDAH sentem-se chateadas ou perdem o interesse pelo seu trabalho mais rapidamente que outras crianças, parecem atraídas pelos aspectos mais recompensadores, divertidos e reforçativos em qualquer situação, essas crianças também tendem a optar por fazer pequenos trabalhos no presente momento em troca de uma recompensa menor, embora mais imediata, ao invés de trabalhar mais por uma recompensa maior disponível apenas adiante. Na realidade, reduzir a estimulação torna ainda mais difícil para uma criança com TDAH manter a atenção. Apresentam também dificuldades em controlar impulsos. Os problemas de atenção e de controle de impulsos também se manifestam nos atalhos que essas crianças utilizam, em seu trabalho. Elas aplicam menor quantidade de esforços e despendem menor quantidade de tempo para realizar tarefas desagrádaveis e enfadonhas.

Os dois lados de uma síndrome

Diferenciais

  • Têm muitos talentos criativos, que geralmente não aparecem até que o TDAH seja tratado.
  • Demonstram ter pensamento original, “fora da caixa”.
  • Tendem a adotar um jeito diferente de encarar a própria vida. Costumam ser imprevisíveis na maneira como abordam diferentes assuntos.
  • Persistência e resiliência são suas características marcantes – mas, cuidado, às vezes podem parecer cabeças-duras.
  • São geralmente muito afetivos e de comportamento generoso.
  • São altamente intuitivos.
  • Com freqüência, demonstram ter uma inteligência acima da média.

Problemas

  • Grande dificuldade para transformar suas grandes idéias em ação verdadeira.
  • Problemas para se fazer entender ou explicar seus pontos de vista.
  • Falta crônica de iniciativa.
  • Humor volúvel, da raiva para a tristeza rapidamente.
  • Pouca ou nenhuma tolerância à frustração.
  • Problemas com organização e gerenciamento do tempo.
  • Necessidade incessante de adrenalina. Inconscientemente, podem provocar conflitos apenas para satisfazer essa necessidade de estímulo.
  • Tendência ao isolamento e à solidão.
  • Raramente conseguem aprender com os próprios erros.

Causas

Os principais fatores identificados como causa são uma suscetibilidade genética em interação direta com fatores ambientais. A herdabilidade estimada é bastante alta, pois 70% dos gêmeos idênticos de TDAH também possuem o mesmo diagnóstico. Quando um dos pais tem TDAH a chance dos filhos terem é o dobro, aumentando para oito vezes quando se trata de ambos pais.

Pesquisas também têm apresentado como possíveis causas de TDAH: problemas durante a gravidez ou no parto e exposição a determinadas substâncias (chumbo). Dentre as complicações associadas estão toxemia, eclâmpsia, pós-maturidade fetal, duração do parto, estresse fetal, baixo peso ao nascer, hemorragia pré-parto, consumo de tabaco e/ou álcool durante a gravidez e má saúde materna. Outros fatores, como danos cerebrais perinatais no lobo frontal, podem afetar processos de atenção, motivação e planejamento, relacionando-se indiretamente com a doença.

Problemas familiares propiciam o aparecimento predisposto geneticamente, como uma família com muitos filhos, alto grau de brigas entre os pais, baixa instrução educacional, famílias com baixo nível sócio-econômico, criminalidade dos pais, colocação em lar adotivo ou/e pais com transtornos psiquiátricos. Tais problemas não originam tais distúrbios mas os amplificam na sua existência. Um dos possíveis motivos é que a negligencia dos pais leva as crianças a precisarem se comportar inadequadamente para conseguir atenção.

Pesquisas apontam para a influência de genes que codificam componentes dos sistemas dopaminérgico, noradrenérgico, adrenérgico e, mais recentemente, serotoninérgico como os principais responsáveis.

Famílias caracterizadas por alto grau de agressividade nas interações, podem contribuir então para o aparecimento desses comportamentos agressivos ou de uma oposição desafiante nas crianças perante a sociedade. Problemas de ansiedade, baixa tolerância a frustração, depressão, abuso de substâncias e transtornos opositivos são comorbidades frequentes.

Fonte: Wikipédia
Revisão e Atualização: Prof. Dr. J. Fonseca