Medicina Homeopática [Homeopatia]

02.07.2015 19:22
Samuel Hahnemann (1755-1843)

Samuel Hahnemann (1755-1843)

Hipócrates introduziu a avaliação metódica dos sinais e sintomas como base fundamental para o diagnóstico e advogou dois métodos terapêuticos que podiam ser utilizados com sucesso: a “cura pelos contrários” (Contraria Contrariis Curentur), consolidada por Galeno (129-199 D.C.) e Avicena* (980-1037), a base da medicina alopática; e a “cura pelos semelhantes” (Similia Similibus Curentur), reavivada no século XVI por Paracelso (1493-1591) e consolidada por Samuel Hahnemann, com a criação da Medicina Homeopática.

Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843) formou-se em medicina pela Universidade de Erlagen, em 1779, tendo abandonado o exercício da medicina em 1787 desiludido com a prática da medicina da sua época

Em 1796 estabeleceu um novo método terapêutico baseado na cura pelos semelhantes, a partir das palavras gregas “homoios” (“semelhante”) e “pathos” (“sofrimento”).

Similia Similibus Curentur” (Os semelhantes curam-se pelos semelhantes)

Hahnemann em 1796 publica “Ensaio sobre um novo princípio para averiguar os poderes curativos das substâncias medicinais”. 1796 ficou conhecido como marco inicial da medicina homeopática.

Estavam assim criados, os fundamentos da medicina homeopática, que divergem, dos conceitos terapêuticos alopáticos da medicina convencional.

Ao efectuar a tradução do Tratado de Matéria Médica, de Cullen, em 1790, Hahnemann insatisfeito com a explicação dos efeitos descritos acerca da quina, realiza a experimentação em si mesmo. Ao fazê-lo, constata que as substâncias que produzem um determinado tipo de febre intermitente também são capazes de resolvê-la quando manifestada num indivíduo doente (PASCHOAL).

Samuel Hahnemann publicou a primeira edição do Organon da Arte de Curar, em 1810.

Em 1811, publicou o primeiro volume da Matéria Médica Pura, que concluiu no ano seguinte, constituída por seis volumes.

Em 1921, muitos anos após sua morte, foi publicada a 6ª edição. O Organon passou a ser considerado a “Bíblia da homeopatia”.

O conceito de força vital, marca a “diferença radical entre o objecto e o objectivo do saber nas duas clínicas”: a clínica moderna voltada “para a causa da doença (agente patogénico) e para a sua origem espaço-temporal (organicidade e sintomatologia), enquanto o saber da clínica homeopática volta-se para o indivíduo desequilibrado (doente) no sentido de reparar a sua energia da vida (curá-lo)”. O homem é mais do que uma simples manifestação da natureza, pois é “uma unidade indissoluvelmente constituída de matéria, energia ou força vital e espírito”, sendo que “nenhuma das partes por si mesma representa o homem ou pode manifestar-se independentemente” (LUZ H., 1993).

Apesar das influências newtonianas, Samuel Hahnemann não subordina os fenómenos vitais às leis da física e da química, como se constata em “O Espírito da Doutrina Médica Homeopática” de 1813:

“A vida humana não é de forma alguma regulada por leis puramente físicas que imperam apenas entre as substâncias inorgânicas (…) Um poder fundamental inominável reina omnipotente e suspende toda a tendência das partes componentes do corpo para obedecer às leis da gravitação, do “momentum, da vis inertiae”, da fermentação, da putrefacção, etc., colocando-as sob as maravilhosas leis da vida, sozinha” (ROSENBAUM).

A medicina homeopática pode ser entendida a partir de duas teorias científicas: a “teoria construtiva homeopática” – cujas proposições se referem a entidades e processos inacessíveis à observação directa – complementar à “teoria fenomenológica” – cujas proposições se referem a propriedades e relações empiricamente acessíveis entre os fenómenos –, explicando-a. (professor de filosofia da UNICAMP, Silvio Chibeni (1998)

Hahnemann enfatizou a objectividade, não a neutralidade.

A morfologia seguida pela medicina homeopática baseia-se na anatomia clássica com as suas divisões (sistemas, órgãos, aparelhos, tecidos e células). Todavia, o homem é entendido através dos planos estrutural, funcional, sensorial e espiritual.

Muitos foram os seguidores de Hahnemann que, após sua morte, continuaram a sua obra. Contudo, os que mais contribuíram para a evolução dos fundamentos da homeopatia foram Hering e Kent.

Principais linhas da Medicina Homeopática: “Pluralista” (complexista e alternista) “Unicista” e “Complexista”

O estímulo promovido pela medicação homeopática é percebido de maneira difusa, como informação complexa, pela rede de sistemas orgânicos reguladores e desencadeia uma reacção orgânica global ao padrão dinâmico da doença.

Nas doenças agudas, o medicamento homeopático além de provocar reacção local,  redirecciona as reacções sistémicas.

Nas doenças crónicas, o medicamento homeopático desbloqueia o foco dinâmico patológico e facilita a reorientação do sistema para um padrão de funcionamento mais saudável (CORRÊA LIMA, 2003).

Ciência é um processo em constante mudança. Desconhecer o mecanismo de acção não significa que não possa ser comprovado do ponto de vista da experimentação (…) Pois, “explicação não é ciência, ciência é resultado experimental confiável, confirmando ou refutando uma hipótese, através de um teste apropriado.” Escreveu o físicoMarcelo Gleiser (2000).

O conhecimento isolado obtido por um grupo de especialistas num campo restrito não tem em si mesmo qualquer espécie de valor. Só tem valor no sistema teórico que o integra no conhecimento restante, e apenas na medida em que contribui realmente, nesta síntese, para responder à questão: “Quem somos nós?” (E. Schrödinger).

Difusão da medicina homeopática nos países:

1796 – Alemanha
1819 – Áustria
1819 – Hungria
1821 – Dinamarca
1821 – Itália
1824 – Estados Unidos
1826 – Suécia
1830 – França
1830 – Inglaterra
1833 – Sicília
1834 – Bélgica
1834 – Espanha
1834 – Holanda
1834 – Suíça
1838 – Irlanda
1840 – Brasil
1847 – Índia
1848 – Chile
1848 – Paraguai
1848 – Portugal
1849 – Uruguai
1850 – México